31 de outubro de 2011

O Renascimento do Parto - Documentário


O promocional do filme "O Renascimento do Parto" que está previsto para março de 2012.
Com participação especial do cientista Michel Odent, do ator e diretor de cinema Márcio Garcia e sua esposa, a nutricionista Andréa Santa Rosa.
Assistam e se deliciem!

17 de outubro de 2011

Novos médicos não sabem lidar com parto normal


Não podia deixar de postar esta excelente matéria. Leiam!

Entre os 3 mil médicos entrevistados na pesquisa conduzida pelo CFM, Febrasgo e ANS há algo em comum: os formados recentemente, em sua maioria, não acham um problema a quantidade de cesarianas feitas no Brasil, apesar de o índice estar bem acima do aceitável. A médica Lucila Nagata, da Febrasgo, chama a atenção para um ponto pouco discutido: as universidades de hoje formam excelentes cirurgiões, mas não ensinam aos obstetras como acompanhar um parto normal. “Os colegas têm hoje maior ênfase no saber operar e, muitos, quando se deparam com um parto normal, não sabem como proceder”, explica.
Para Lucila, outro problema é a quantidade de processos judiciais (normalmente éticos) que surgem contra os médicos que tentam fazer parto normal e acabam indicando a cesariana em um tempo não hábil para salvar a mãe ou o bebê ou para evitar algum problema no parto. “Muitos preferem a cesariana para não correr este risco.”

Dinheiro
A remuneração dos médicos no Brasil, pelos planos de saúde, também é diferente quando o parto é normal ou cesariana. Antiga­­mente se pagava mais pela cesariana, hoje grande parte dos planos de saúde paga o mesmo valor e alguns já inverteram a lógica: pagam mais pelos partos normais como incentivo. Recen­­temente a Gazeta do Povo publicou que os médicos que fazem cesarianas chegam a cobrar um valor extra (por fora) da parturiente para ela ter a garantia da presença dele na hora do parto cesáreo (alguns planos de saúde aceitaram esta atitude). Há ainda outra questão: por mais que os médicos recebam mais pelo parto normal, este costuma demorar muito mais que a cesariana, ou seja, o valor/hora do parto normal não compensa. “Uma das sugestões é que os planos de saúde montem equipes qualificadas para o acompanhamento do trabalho de parto (assim como existem as equipes de plantão nos hospitais públicos). Assim, esta equipe atenderia a mulher e, o obstetra, só seria acionado quando estivesse muito próximo de o bebê nascer. Poderia ser uma alternativa. Estamos buscando soluções”, diz o coordenador da Comissão de Parto Normal do Conselho Federal de Medicina, José Fernando Maia Vinagre.
A médica Daphne Rattner, professora da Universidade de Brasília, sugere algo a mais: que o parto seja feito por enfermeiras obstetrizes e o médico só seja chamado caso necessário. “Em muitos países onde as taxas de cesarianas são baixas, este é o modelo que funciona”, cita Daphne.


Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1180771&tit=Novos-medicos-nao-sabem-lidar-com-parto-normal

30 de setembro de 2011

Espere seu bebê querer nascer

Matéria maravilhosa da Revista Crescer que li hoje de manhã na sala de espera do médico. Muito bom saber que há uma luz no fim do túnel.


Alguns estados americanos estão criando regras para que o parto cesárea não seja mais feito antes das 39 semanas. Saiba por que é importante entrar em trabalho de parto e veja quais são os riscos de agendar a data da cesárea - para você e para o seu filho também

Ana Paula Pontes e Isis Coelho


Sim! Alguns dias fazem muita diferença na vida do bebê. É claro que existem exceções quando a gestação passa das 39 semanas ou, então, quando há realmente um motivo médico para que uma cesárea seja feita. No entanto, o aumento exponencial do número de cesáreas eletivas (aquelas realizadas sem nenhuma necessidade), tendo como consequência bebês com problemas, tem engatilhado uma série de alertas dos médicos sobre essa irresponsabilidade – no Brasil e no exterior. 


Nos Estados Unidos, segundo noticiou a Time, hospitais na Georgia, Flórida e Ohio vêm discutindo sobre o parto cirúrgico feito antes de 39 semanas. No Texas, por exemplo, para limitar os partos antes dessa época, uma legislação começou a entrar em vigor no dia 1o deste mês. Mas será que esse é mesmo o melhor caminho? 

Para Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês (SP), esse tipo de lei significa um descrédito total da medicina. “Não deveria ter uma norma, e sim moral de todos os médicos. É ensinado em qualquer faculdade de medicina os aspectos fisiológicos do bebê na gravidez (e os riscos de ele nascer fora da hora). Então qualquer cesárea agendada sem razão e que resulte em alguma situação com o bebê é passível de processo”, diz. E reforça: “O que acontece é que, na maioria das vezes, por conveniência de algumas mães e médicos sempre há uma justificativa, mesmo que errada.” 

Segundo Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein (SP), apesar do viés desse tipo de ação dos hospitais americanos ser mais no sentido de proteção e responsabilidade legal, a consequência é boa para o bebê. “Criou-se uma cultura de que o bebê está pronto com 37 semanas, porque para fins de trabalhos científicos não consideramos prematuro a partir dessa época. Só que o momento ideal de ele nascer é quando a mulher entra em trabalho de parto, nunca antes disso”, reforça Alexandre.


Tem que esperar, sim!
Logo na primeira consulta com o obstetra, você fica sabendo em qual provável semana seu bebê vai nascer, certo? E aí já começa a planejar o enxoval, a calcular de que signo ele vai ser, ver se o aniversário dele será perto de algum feriado... Até aí, tudo bem. O problema é que muitas mulheres acabam usando essa estimativa para agendar a data do parto e fazer a chamada cesárea eletiva. Com medo do parto normal, por falta de orientação profissional ou até mesmo por comodidade, a data do nascimento, muitas vezes, acaba sendo decidida previamente. E, se por um lado isso ajuda a família a organizar a chegada do bebê, por outro, a data fixa pode levar ao parto antes do tempo ideal porque não se pode descartar um possível erro no cálculo gestacional.
“É importante esperar que a mulher entre em trabalho de parto pois isso indica a maturidade do bebê e evita maiores complicações tanto para a mãe quanto para a criança”, afirma Wladimir Taborda, doutor em medicina pela Universidade Federal de São Paulo, colunista da CRESCER e autor de A Bíblia da Gravidez (CMS Editora). Se o parto for antes da hora, a criança pode desenvolver problemas respiratórios e, até mesmo, ter de passar alguns dias em uma UTI neonatal para compensar o período em que deveria ter ficado no útero.
Uma recente pesquisa mostra consequências ainda mais graves. Conduzido por cientistas da March of Dimes Foundation, organização não governamental norte-americana que encabeça diversas campanhas contra o nascimento prematuro nos Estados Unidos, o estudo analisou 46 milhões de partos. Os pesquisadores concluíram que o risco de morte é maior para os que nascem antes da 39ª semana em comparação com aqueles que chegam até o final da gestação. A taxa de mortalidade infantil foi de 3,9 para cada mil bebês nascidos vivos a partir da 37ª semana, e de 1,9 para na 40ª semana. Como você viu, mesmo que ele não seja prematuro (ou seja, nasça antes da 37ª semana), não significa que esteja pronto. E, como a cesárea é uma cirurgia, a mãe também corre riscos, como infecção, laceração acidental de algum órgão abdominal, trombose, embolia pulmonar ou hemorragia.
Ninguém está dizendo para se deixar de fazer cesáreas. Esse é um procedimento que salva vidas mas, segundo especialistas, só deve acontecer raramente (veja o quadro) . Em casos de diabetes gestacional ou problemas de pressão arterial, o médico também precisa avaliar. Caso vocês cheguem à conclusão que a cesárea é mesmo necessária, espere pelo menos o seu bebê indicar que quer nascer. O ideal é aguardar pelas contrações (que podem acontecer até a 42ª semana), sempre com acompanhamento do obstetra.
Quando a mulher entra em trabalho de parto, o bebê passa por uma preparação para nascer que começa com as contrações uterinas. Elas funcionam como um alerta para a criança, que passa a liberar substâncias para o amadurecimento final do próprio organismo, como o hormônio corticoide, que age no pulmão – se você estiver em trabalho de parto e for preciso uma cesárea de emergência, a criança já vai estar com o organismo mais pronto. Além disso, o seu corpo também estará mais preparado para amamentar graças a hormônios liberados no trabalho de parto. A segunda etapa ocorre no parto. Quando o bebê passa pelo canal vaginal, os pulmões dele sofrem uma compressão que ajuda a eliminar líquidos e fluídos que possam causar algum desconforto respiratório posterior. É por tudo isso que não vale a pena agendar uma cesárea.
Se você ficou aflita porque agendou o parto do seu bebê ou se estava pensando nessa possibilidade, tente manter a calma: você ainda tem tempo. A primeira atitude é conversar com seu companheiro e com o médico que acompanha você. Diga que deseja esperar pelo trabalho de parto. Como você viu, desde que suas condições de saúde e do bebê estejam normais, não há motivo para desistir. E aproveite para discutir com ele sobre o tipo de parto. Se você não ficar convencida que ele vai tentar o parto normal, veja se não é o caso de procurar a opinião de outro especialista ou até trocar de médico. “Bons profissionais estimulam uma segunda opinião e, inclusive, essa pode ser uma prática saudável para ajudar a diminuir a incidência de cesáreas eletivas no país”, afirma Taborda.

A CESÁREA É INDICADA QUANDO...
• Há sofrimento fetal ou o bebê tem problemas de crescimento.
• Há placenta prévia (quando essa se interpõe entre o bebê e o colo do útero) ou deslocamento prematuro de placenta.
• Existe uma obstrução vaginal (tumor).
• A mãe tem herpes genital e a lesão está ativa até um mês antes do parto.
• Em casos de gestações múltiplas (não é regra).
• A abertura da mãe for pequena para o tamanho do bebê.
• A criança está na posição atravessada ou deitada e não foi possível virá-la para a correta.

Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI263731-10584,00-ESPERE+SEU+BEBE+QUERER+NASCER.html

28 de setembro de 2011

Pesquisadores investigam indução de cesarianas




Pesquisadores brasileiros ouvirão 24 mil mulheres de todo o país para investigar as etapas de nascimento e descobrir, entre outros aspectos, a razão do aumento do número de bebês prematuros e por partos cesarianos — entre 1997 e 2007, o número de partos não naturais aumentou 44%. Coordenado pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Osvaldo Cruz, o levantamento inédito, intitulado Nascer no Brasil, também pretende apontar as causas de mortalidade materna e neonatal. 

Coordenadora do Núcleo da Saúde da Mulher no Ministério da Saúde, Esther Vilela define o alto número de bebês prematuros como uma “epidemia oculta”. “É uma prematuridade em consequência da cesárea de hora marcada. Hoje, se programa tudo, até o dia em que o bebê tem de nascer, de acordo com a comodidade da família e do profissional de saúde”, detalha. “É uma entrega total à tecnologia, como se ela fosse superior a tudo. Isso leva as crianças a encherem cada vez mais as UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo). A gente sabe que a cesárea é mais perigosa para a mulher e para o bebê”, critica.

Só em 2009, foram 202 mil nascimentos prematuros. O número de bebês abaixo do peso chegou a 242 mil. A quantidade de cesáreas varia conforme a rede de atendimento: pública ou privada. Dados mais recentes do Ministério da Saúde revelam que, no SUS, 35% dos partos são cesarianos. Se considerarmos a média nacional, o índice sobe para 46%. “Na rede privada, chega a 70%”, afirma Esther.

Segundo Daphne Hattner, coordenadora regional do estudo e professora da Universidade de Brasília (UnB), a prematuridade em decorrência de uma cesariana programada pode trazer algumas complicações para o recém-nascido. A principal delas acontece quando o bebê nasce antes de o sistema pulmonar estar completamente desenvolvido. “Respirar aqui fora é o básico para o recém-nascido. Se o bebê nasce antes da hora, isso pode ser comprometido”, detalha. 

Nesses casos, a criança precisa ficar em uma UTI e, consequentemente, mais exposta a outras doenças. “O bebê tem o tempo dele de nascer e a mãe, o tempo dela de dar à luz. Isso precisa ser respeitado. A cesárea deveria ser um procedimento utilizado apenas em emergências”, defende Daphne. Esther Vilela concorda. “Toda mulher já nasce capaz de dar à luz. O profissional deve apenas auxiliá-la nesse momento”, pontua.

Mortalidade
Outra consequência grave das cesarianas desnecessárias é o risco de mortalidade materna. Esther Vilela reconhece que essa deve ser a única meta dos objetivos do milênio que não será alcançada pelo país. O objetivo é reduzir em três quartos os casos, o que no Brasil representaria um índice de 37 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Em 2007, a média era de 75 a cada 100 mil. A Coordenadora do Núcleo da Saúde da Mulher no Ministério da Saúde explica que essa é uma meta difícil de ser alcançada porque tem que abranger todo o Brasil, que enfrenta problemas regionalizados com relação ao tema. A pasta desenvolve um plano com metas específicas para cada região brasileira.

 “Evidências científicas mostram que cerca de 90% dos óbitos maternos poderiam ter sido evitados. Em alguns casos, bastava ter iniciado o pré-natal mais cedo”, Daphne Hattner. “Pode ser que a mãe não tenha dinheiro para o pré-natal ou que ela tenha sete filhos e não sobre tempo para os exames. Queremos investigar todas essas causas”, exemplifica.

Metas internacionaisEm 2000, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu oito objetivos a fim de amenizar o que a entidade considera como os maiores problemas mundiais. São eles: acabar com a fome e a miséria; reduzir a mortalidade infantil; combater a Aids, a malária e outras doenças; fornecer educação básica de qualidade para todos; promover a qualidade de vida e respeitar o meio ambiente; promover a igualdade entre sexos e a valorização da mulher; melhorar a saúde das gestantes; e fazer com que as pessoas trabalhem pelo desenvolvimento. 



Tensão nos primeiros diasEm 2009, foram registrados 2,9 milhões de nascidos vivos no país. Desses, saiba quantos nasceram prematuros e quantos estavam abaixo do peso. 


Prematuros 
Menos de 22 semanas - 1.803
De 22 a 27 semanas - 11.507
De 28 a 31 semanas - 20.899
De 32 a 36 semanas - 167.893
Total - 202.102
 
Abaixo do peso
Menos de 500g - 2.979
De 500g a 999g - 13.496
De 1.000g a 1.499g - 21.021
De 1.500g a 2.499g - 204.935
Total - 242.431

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,12/2011/09/25/interna_brasil,271274/quando-os-bebes-herdam-as-dores-do-parto.shtml 

13 de setembro de 2011

12 de setembro de 2011

As mulheres têm direito a pedir cesariana?

Por Cláudia Rodrigues



Embora a mídia convencional não entre nessa questão, até porque no Brasil é um costume fazer acordos com médicos para eleger uma data de nascimento; nas redes de relacionamento é um assunto quente, que envolve argumentos contundentes. De um lado estão as jovens militantes pela humanização do parto e do nascimento, de outro uma geração que acompanhou de perto os movimentos feministas e o direito da mulher de ser dona do próprio corpo. No meio uma massa de mulheres que segue a tendência cultural dos últimos anos: entregar a responsabilidade sobre o nascimento dos filhos aos médicos, linhas de montagens hospitalares e interesses do mercado.
O nó entre os argumentos acaba esbarrando na questão da legalização do aborto, um dos direitos conquistados pelas feministas em muitos países desde a década de 1960. Elas acusam as jovens militantes atuais de estarem dando ré em direitos que sequer ainda foram conquistados no Brasil. Usam como fio condutor o papel machista da diferenciação entre gêneros pela medicina, que é fato histórico, abominando os argumentos recentes de uma aceitação, sobre novas premissas, da diferenciação entre os corpos masculinos e femininos como fundamental para rever perdas também históricas.
O movimento pelo direito de parir, amamentar e ter mais qualidade e tempo para cuidar dos filhos, está balizado na retomada de um corpo feminino que foi violado pelos excessos tecnicistas e pelo mesmo machismo, que se um dia condenou as mulheres à falta de direitos iguais, hoje impossibilita ou dificulta a vivência plena da maternidade como algo prazeroso ligado diretamente à saúde do corpo feminino, diferente do masculino e com necessidades outras.
O que essas novas militantes feministas debatem em grupos de apoio e ONGs é o direito de escolha a partir do conhecimento sobre o tema da maternidade, afinal durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, as questões sobre maternidade foram consideradas menores, desimportantes no contexto do mercado de trabalho. Elas acreditam que as escolhas, tanto pela maternidade consciente baseada em evidências, quanto pela não-maternidade consciente, o direito da mulher de não querer ter filhos, migrariam para outro paradigma, inclusive mais auto-sustentável, a partir de conhecimento científico. Mais do que isso, elas buscam autoconhecimento, a redescoberta do corpo feminino como plenamente capaz de dar conta de suas funções biológicas, derrotando a construção de um corpo frágil, incapaz e encontrando uma liberdade mental pela não-necessidade da maternidade como fonte de felicidade moral para todas as mulheres.
Curiosamente, nos países em que a legalização do aborto é um fato consolidado, a cesariana a pedido da mulher, sem indicação clínica absoluta, não é uma realidade, já que a cesariana é considerada uma cirurgia de emergência para casos muito específicos que ocorrem em no máximo 15% de gestantes, segundo a Organização Mundial de Saúde.
No Brasil, país que vem desde a década de 1970 alternado com o Chile as posições de campeão e vice-campeão em altos índices de cesariana, a batalha atual das militantes pela humanização do parto e do nascimento e a discussão entre as duas correntes feministas choca-se com a postura médica brasileira tradicional e a desinformação das que seguem a conduta vigente sem qualquer questionamento sobre as interferências médicas desnecessárias, mesmo quando desejam o parto.
Enquanto na Europa as mulheres que pedem cesariana sem indicação clínica são esclarecidas pela assistência sobre os benefícios do parto natural, tanto para a mãe quanto para o bebê e eventualmente são encaminhadas para tratamento psicoterápico a fim de resolverem seus temores em relação ao parto, no Brasil o pedido costuma ser recebido com naturalidade pelos médicos. Ainda pesa sobre as brasileiras a apologia à cesariana, promovida pela assistência médica brasileira, extremamente centrada no serviço de médicos obstetras. A figura da parteira e da enfermeira obstetra, assim como o ofício de doulas, está dando os primeiros passos no Brasil e tem enfrentado o corporativismo médico. Em maio último o único curso de formação de parteiras do país, oferecido pela USP, esteve para ser fechado. Foi a militância em prol do parto ativo que conseguiu reverter o quadro.


A formação de mais cursos de obstetrícia ou de um apoio maior ao parto fisiológico assistido por enfermeiras-obstetras, respeitando o ritual familiar, seja em domicílio, casa de parto ou maternidades, é apontada como uma saída digna pelas mulheres que estão aí para resgatar não um passado machista, dominado pelo mercado, mas uma sabedoria ancestral que foi perdida pelas invasões culturais e tecnocráticas. Naturalmente que o resgate de uma sabedoria ancestral, hoje vem com agregações modernas, com muito mais segurança e com uma preocupação muito focada no bem-estar da mãe e do bebê.


A cesariana apresenta maiores riscos a cada gestação para a mulher, assim que uma mulher que tiver tido uma primeira cesariana, estará correndo menos riscos se no segundo filho tentar o parto natural não medicalizado.
Quando eletiva, marcada antes de qualquer sinal iminente de parto, ela está associada a riscos de nascimentos prematuros e problemas cardiorrespiratórios nos bebês.
Diante das evidências de que a cesariana eletiva acarreta problemas para o bebê que a mulher escolheu ter, fica difícil digerir o argumento de que escolher uma cesariana eletiva, potencialmente um parto prematuro com todas as suas eventuais implicações, seria um direito sobre o próprio corpo. Naturalmente não dá para comparar o direito de escolher não engravidar, de não gestar e não ter filhos com o direito de submeter o filho que se escolheu ter a um começo tão duvidoso para sua saúde.
O feminismo sempre foi um movimento de pensadoras, é por isso que se pode afirmar com veemência que a militância pela humanização do parto e do nascimento é um movimento feminista que chega fazendo releituras do próprio feminismo.

Cláudia Rodrigues é jornalista, terapeuta reichiana, autora de Bebês de Mamães mais que Perfeitas, 2008 (Centauro Editora). Blog: http://buenaleche-buenaleche.blogspot.com



7 de setembro de 2011

Parto tecnológico: um show de horrores!

Li este texto esclarecedor em alguns perfis do face e blogs - não podia deixar de postar para que mais pessoas tenham acesso.



Uma fêmea de mamífero, quando prestes a parir, geralmente se isola, procura um lugar tranquilo, silencioso e de pouca luz. Nesse ambiente, o parto se dá de forma natural. Mas, o que ocorre com as fêmeas da espécie humana? Lamentavelmente, o parto tecnológico, em ambiente hospitalar, barulhento, frio, bem iluminado e geralmente como resultado de um parto cesáreo (previamente agendado). Imagino como as crianças são muito mal recebidas neste mundo. De repente, todo o oposto da segurança e quietude uterinas irrompem em poucos segundos. É um choque inimaginável. Parturientes dopadas, médicos apressados, pais fotógrafos / cinegrafistas, sondas no nariz, aquecedores artificiais, gente estranha, bactérias superpoderosas e... nada da mãe, dormindo ou cheia de dor. 
primeiro vínculo do ser é o ventre materno. O estresse, a alimentação e as emoções atuam diretamente no feto. Para seu bem ou não. O segundo vínculo inicia-se no parto e vai até os três meses de vida, no qual a relação de intimidade e proximidade entre mãe e recém-nascido (RN) é fundamental pelo resto da vida. Não é à toa que os peitos ficam em uma localização tal que, quando mamando, a criança fica a a 10 ou 15 cm do rosto da mãe. Isso tem uma razão de ser: o RN reconhece apenas rostos que estão suficientemente pertos. A proximidade é fundamental, particularmente no momento da amamentação, instante de troca emocional e doação amorosa, além da nutrição completa do corpo. Há outros vínculos mais, com ambiente familiar, social, emocional e intelectual, que serão abordados posteriormente.

Não me espanta o número de mulheres que chegam às maternidades e não têm mais dilatação do colo uterino, "impedindo" o parto vaginal. É o parto tecnológico, o ambiente hospitalar (fisica e emocionalmente inadequado) e a programação mental a qual as futuras mamães são cruelmente submetidas durante o pré-natal que fazem isso. Aí, então, tome cesariana. E tome anestésico. E tome analgésico. E tome soro. E tome curativo. E tome criança separada da mãe. E tome mamadeira. E tome um show de horrores! Depois, a grande desculpa: os peitos secaram, não têm leite, estão rachados, inflamados, infectados. Não me admira que falte leite, diante dessa sequência absolutamente antinatural de gestar e dar a luz. Ou será que que as mamães têm medo que suas mamas despenquem ao oferecer seu leite ao seu rebento? Precisamos voltar à natureza, sábia demais, pois gestação e parto bem conduzidos e naturais (o máximo possível) podem ser a diferença entre um ser humano futuramente equilibrado ou inadequado pelo resto vida.

Fonte: http://www.bancodesaude.com.br/user/4474/blog/parto-tecnologico-um-show-horrores

5 de setembro de 2011

ESCOLHAS


Não há um dia sequer que eu não me pegue pensando sobre a maternidade e os encargos que ela traz.

É engraçado como desde novinhas “aprendemos” a maternar. Ganhamos bonecas, ninamos, trocamos fraldas, alimentamos e cuidamos de nossas “filhas”. A maternidade nos é passada de forma linda, colorida e até romântica. Parece tão natural. E não só a maternidade, mas durante a infância continuamos ganhando panelinhas, fogõezinhos, tábua e ferrinho de passar roupinhas, comidinhas, enfim... uma infinidade de brinquedos que despertam na menina o desejo de crescer e reproduzir tudo isso, tão lindo, na vida real.

Mas, para aquelas que já passaram pela difícil experiência do primeiro filho sabem que não é bem assim.  Sabem que quando nasce um bebê, nasce também uma infinidade de questionamentos e dilemas. Cuidar da casa e de um filho já não parece tão fácil como nas brincadeiras de criança.

No começo nos sentimos desamparadas, cansadas, com dúvidas, muitas dúvidas. Sobre a amamentação, sobre o sono, banho, cólicas, choros indecifráveis, enfim, tantas questões que nos dão dor de cabeça. A lista é grande. Porém, junto com tudo isso vem o amor, um amor tão grande que não cabe no peito. Como podemos amar tanto um serzinho tão pequeno? Como podemos amar alguém que mal conhecemos?

E é aí, no nascimento do bebê, que nasce também uma mãe. Uma mãe com tudo que a palavra mãe tem direito: mãe que ama, cuida protege, mãe que chora, cansa, não dorme, mãe com dúvidas, inseguranças, medos, culpas, mãe com alegrias, encantamentos. Tornamo-nos diferentes como até então nunca tinha sido, com um amor que nunca tínhamos experimentado.

E daí então, quando as coisas parecem que estão se ajeitando, nasce o que para mim foi, e ainda é, o maior dos conflitos. Passamos a vida estudando, gritando por independência, acreditando em um futuro profissional promissor, afinal as mulheres hoje têm espaço no mercado de trabalho; ao mesmo tempo, fomos ensinadas que a maior realização de uma mulher é se tornar mãe. Ter uma família, criar filhos, formar um lar. O que fazer?

Muitas mulheres, hoje, têm retomado à busca pela vivência integral da maternidade. E nesse desejo, acabam largando sua vida profissional para dedicar-se exclusivamente à maternidade.  Escolhas, difíceis, que fazem parte da vida de mãe.

Ser mãe é aceitar todos os encargos que a maternidade traz. E ela é feita de escolhas. Não necessariamente certas ou erradas, não é disso que falo, mas sim daquilo que pra mim, mesmo sendo loucura aos olhos dos outros, é o melhor. Não sem culpa, não sem cansaço, não sem dor, mas por hora, o melhor.

Ser mãe foi, sim, a melhor das escolhas. Adequar minha profissão e meus interesses à minha filha, a segunda delas. 



* Hoje, dia do meu aniversário, texto escrito em homenagem ao meu maior presente, minha filha.

Mirele Flores,
Fono e Doula

31 de agosto de 2011

Dúvidas sobre Amamentação - Dra. Elsa Giugliani

Entrevista com Dra. Elsa Giugliani



1. Dra. Elsa, até quando se deve amamentar?


R: O ideal é até seis meses de idade como alimento único, exclusivo. Sem água, suco, chás, sopinhas ou qualquer outro alimento. A partir dos 6 meses, o leite de peito continua importantíssimo e é o alimento básico, mas é necessária a introdução de alimentos, variados. É recomendado ainda manter a amamentação até os dois anos de vida do bebê ou mais. O leite materno continua proporcionando vantagens nutricionais e imunológicas também nesta faixa etária. A recomendação mundial, endossada pela OMS desde a 54º Assembléia Mundial da Saúde realizada em Genebra, em 2001, é a de que o aleitamento deve ser exclusivo até os 6 meses e complementado através da adição de alimentos variados até os dois anos ou mais.



2. Mas por que é tão importante que o aleitamento materno seja exclusivo até os seis meses?


R: A introdução precoce de outros alimentos aumenta a chance de a criança ter diarréia, infecções respiratórias, em especial a pneumonia, otite média, alergias, incluindo asma, diabete mélito e possivelmente a síndrome da morte súbita. Além disso, a introdução precoce de outros alimentos reduz a freqüência e a intensidade da sucção, acarretando a diminuição da produção do leite materno e o desmame. O valor nutricional do “complemento” introduzido com freqüência é inferir ao leite do peito, o que predispõe a criança à desnutrição. Os alimentos introduzidos, inclusive água, podem provocar infecção intestinal e diarréia, pois eles mesmos podem estar contaminados, ou, então, os recipientes que os comportam (em especial a mamadeira) ou mesmo as mãos de quem os manuseia. 

Enfim, a introdução precoce de outros alimentos tem como conseqüência uma redução da ingestão do leite materno e, conseqüentemente, um menor aporte de fatores de proteção contra doenças nele existente. Além disso, os alimentos em si, quando introduzidos precocemente, podem ser danosos por ser uma fonte de contaminação ou por causar alterações no sistema imunológico favorecendo o aparecimento de alergias e outras doenças como diabete.


3. Quais são as dúvidas mais freqüentes das mães em relação à amamentação?


R: As dúvidas mais comuns são quanto a possuírem leite fraco ou pouco leite. Em primeiro lugar, não existe leite fraco. O mesmo pode variar de cor, mas todos são adequados sob o ponto de vista imunológico e nutricional. Quanto ao pouco leite, muitas vezes é apenas uma percepção errônea da mãe. Com freqüência o choro do bebê é interpretado como fome. E muitas vezes esse choro é causado por algum desconforto do bebê ou simplesmente trata-se de uma forma de solicitar aconchego e proteção. É uma “fome de afeto”. Na maioria das vezes em que há uma diminuição real da produção do leite, esta está relacionada com técnica incorreta de amamentação ou ainda ao uso de chupetas ou mamadeiras. Se a criança não mama com uma técnica correta, ela pode ingerir menos leite e não esvaziar adequadamente a mama. Como conseqüência, a mama passa a produzir menos leite e a criança, por não ficar saciada, vai fazer intervalos menores entre as mamadas. Aí surge a insegurança da mãe e a associação com leite fraco. As chupetas e os bicos de mamadeira podem interferir na amamentação, pois podem confundir a criança, já que o tipo de sucção é completamente diferente da sucção ao peito. Além disso, sabe-se que as crianças que chupam chupeta mamam menos no peito, ou seja, há um menor estímulo da mama, e conseqüentemente, uma menor produção de leite. Portanto, atualmente, não se recomenda o uso de chupetas e mamadeiras. É uma recomendação internacional. Mães e profissionais que trabalham com mães e bebês devem conhecer a melhor forma de se amamentar, as vantagens da amamentação, assim como as conseqüências do desmame precoce.



4. Qual é a forma correta de amamentar? 


R: O corpo do bebê deve estar bem de frente para o corpo da mãe; a mãe deve trazer a boca da criança bem de frente para o mamilo; o bebê deve abocanhar o mamilo com a boca bem aberta, de maneira que ele pegue o bico do seio e também a aréola (parte escura ao redor do bico do seio). Se o bebê mamar corretamente, não vai machucar o seio da mãe e vai retirar melhor o leite, matando a sua fome mais rapidamente e vai fazer intervalos maiores entre as mamadas.


5. Que problemas podem ser acarretados por uma mamada incorreta?  


R: O neném pode ficar com fome, porque não está conseguindo retirar todo o leite que precisa. Pode não estar dormindo bem por não estar saciado. A mãe pode produzir menos leite, pois o bebê pode não esvaziar adequadamente a mama. Até as rachaduras do mamilo tem origem, geralmente, numa pega mal feita, ou seja, só no bico. E a rachadura aumenta a incidência de problemas como o ingurgitamento mamário e a mastite, criando um círculo vicioso: mãe e filho com dificuldades na amamentação. Portanto, a observação das mamadas por profissional de saúde nas maternidades é mandatória. Toda a mãe deveria ser exaustivamente orientada quanto à técnica correta da amamentação.


6. Como saber se um bebê está recebendo leite suficiente? 


R: Em primeiro lugar, a mãe sente que a criança fica satisfeita depois das mamadas. Em geral, a criança termina a mamada por estar satisfeita. Além disso, a criança que ingere leite suficiente costuma mamar com freqüência (8 ou mais mamadas por dia) por, pelo menos, 15 a 20 minutos por mamada, urina várias vezes ao dia (no mínimo 6 vezes), urina clara, diluída e evacua com freqüência ou com menos freqüência, porém em grande quantidade. No entanto, a melhor maneira de se avaliar se a criança está recebendo leite suficiente para o seu crescimento e desenvolvimento é através do ganho de peso do bebê. É importante lembrar que a criança que mama só no peito tem um crescimento um pouco diferente do da criança que está recebendo outros alimentos ou não está sendo amamentada. Ela ganha um pouco menos de peso a partir do terceiro mês, mas isso não quer dizer que esteja ingerindo leite em quantidade insuficiente.


7. Não existe mesmo leite fraco?
  
R: Não. O leite do peito nunca é fraco. A cor do leite pode variar, mas ele sempre é de boa qualidade. As mães muitas vezes interpretam como leite fraco quando as crianças mamam com muita freqüência. Mamar com freqüência é normal e esperado em crianças muito pequenas. É claro que o número de mamadas varia para cada dupla mãe-bebê. À medida que elas vão crescendo, as mamadas tendem a ficar mais espaçadas. Se isso não ocorrer, pode ser que a técnica da amamentação esteja incorreta.


8. Quase todas as mães têm capacidade de produzir todo o leite que o bebê precisa? 


R: Sim. É raro a mulher aparentemente normal não produzir leite suficiente para o seu bebê. Quando isso ocorre, na grande maioria das vezes, o problema não é biológico e sim a presença de fatores externos tais como má técnica da amamentação, uso de chupetas e introdução de outros alimentos. A fadiga também é uma importante causa de pouca produção de leite. Por isso se recomenda que as mães repousem o suficiente. Estresse, ansiedade, dor também podem interferir na produção do leite. Outros fatores importantes são o fumo e pílula anticoncepcional que contenha estrogênio (pílulas combinadas).


9. A sra. não acha que as mães que têm dificuldade acreditam que são exatamente a exceção?


R: Sim. É importante percebermos que a insegurança é muito comum quando se tem um bebê para criar, principalmente no caso das mães de primeira viagem. É esta insegurança natural, que na maioria das vezes faz com que muitas mães pensem não serem capazes de amamentar. Por isso, é muito importante que as mulheres recebam informações corretas e que contem com o apoio dos familiares e amigos, para que não desistam nas primeiras dificuldades. 10. Como identificar as mulheres que não produzem o leite necessário ao seu bebê por algum problema de saúde?  R: Existem muitas causas, apesar de elas serem raras, entre elas estão a cirurgia de redução das mamas, mamas com tecido glandular insuficiente, alguns problemas hormonais tais como hipotireoidismo e diabete não tratados, e desnutrição materna extrema. Nestes casos a mãe deve ser avaliada pelo médico, que deverá descartar primeiramente a pouca produção de leite por outros fatores, já comentados.


11. A cirurgia para redução da mama então interfere na amamentação? 


R: Sim. Muitas pessoas, incluindo a maioria dos cirurgiões plásticos, acreditam que a cirurgia não interfere na lactação. Mas fizemos um estudo que mostrou claramente o quanto a cirurgia redutora pode influir negativamente na lactação. As mulheres com cirurgia praticamente não conseguiram amamentar exclusivamente e a duração do aleitamento materno foi muito menor quando comparadas com mulheres semelhantes, porém sem cirurgia prévia.


12. E quanto ao silicone?

R: Sim. Com os implantes de silicone é diferente, não interferem na amamentação, pois a cirurgia não corta inervação, nem mexe no mamilo.


13. O que a sra. tem a dizer sobre a questão do HIV?

R: Todas as mães devem ser incentivadas a amamentar, excetuando-se as mulheres sabidamente HIV-positivas, em uso de quimioterápicos ou em outras situações bem especiais. Uma vez que existe o risco da criança pegar o HIV através do leite materno, quando a mãe for HIV-positiva. Todas as gestantes devem ser testadas no início da gestação.


14. E quanto às mães que trabalham fora, como podem continuar amamentando depois do fim da licença-maternidade? 

R: Durante as horas de trabalho podem tirar (ordenhar) o seu leite e guardá-lo em geladeira por até 24 horas ou no congelador ou freezer por até 15 dias. Este leite pode ser oferecido para a criança quando a mãe estiver fora de casa, de preferência com um copinho, para que o neném não se confunda com diferentes maneira de sugar. As mães que trabalham e que amamentam nos primeiros seis meses têm direito, por lei, a duas pausas de ½ hora cada uma, para amamentar, ou a sair 1 hora mais cedo do trabalho, além da licença-maternidade de 120 dias (cerda de 4 meses).



15. E como podem aprender a realizar a retirada de seu próprio leite? 


R: Procurando o pediatra, um serviço de saúde, Banco de leite ou ONG que se dedique ao trabalho de incentivo ao aleitamento. 


16. A sra. tem dados sobre outros países?

R: Sim. Na África e Ásia, em geral, as mulheres amamentam por um período prolongado, usualmente dois ou mais anos. No entanto, a amamentação exclusiva também costuma não ser praticada nestas populações. Já na América do Norte e Europa, com exceção de alguns países, como Suécia por exemplo, as mulheres amamentam pouco e muitas sequer iniciam a amamentação, fato esse que não ocorre no Brasil. Aqui, praticamente todas as mulheres em condições de amamentar o fazem, porém abandonam a amamentação precocemente. O resto da América Latina, em geral, tem um comportamento semelhante ao do Brasil com relação à prática da amamentação. Cuba, Chile e populações indígenas de outros países da América Latina costumam amamentar por períodos mais prolongados.


17. E por que, afinal, é tão importante que se incentive a amamentação? 


R: Porque o leite materno é o alimento ideal para o bebê. Pelo fato de ser o leite da própria espécie, promove um crescimento e desenvolvimento ótimos da criança. Inclusive acredita-se que as crianças com amamentação ótima (6 meses de amamentação exclusiva e 2 anos ou mais de duração total) teriam um desenvolvimento cerebral que favoreceria atingir o seu potencial, inclusive de inteligência. Não devemos nos esquecer que a espécie humana chegou até onde chegou contando com as vantagens da amamentação e do ato de amamentar. Acredita-se que sem a interferência da cultura, a espécie humana amamentaria um período entre 2,5 e 7 anos. Portanto, a expectativa da espécie sob o ponto de vista biológico, é de que as crianças sejam amamentadas por um período mínimo de 2 anos. A substituição do leite materno por outros leites é um fato muito recente, menos de 100 anos. E esse tempo é uma gota d’água dentro de um oceano, pois os primeiros genes humanos apareceram há mais de 2 milhões de anos. As conseqüências a longo prazo para a espécie humana dessa mudança nos hábitos alimentares das crianças pequenas não se sabe. A curto prazo, causou muitas mortes em todo o mundo. 

Pelo fato do leite materno conter muitos anticorpos e outros fatores de proteção contra doenças, as crianças que mamam no peito têm menos diarréias, doenças respiratórias e otites. O leite de peito exclusivo nos primeiros 6 meses protege a criança também contra alergias, asma e diabete. Atualmente tem se associado a falta de aleitamento materno com o aparecimento de outras doenças que se manifestam mais tarde, tais como alguns tipos de câncer. Além do mais, é mais fácil para a criança fazer a digestão com o leite materno; Amamentar é bom também para a saúde da mãe: protege contra o câncer de mama e de ovário. A mãe que amamenta só no peito nos primeiros 6 meses dificilmente vai engravidar se ainda não menstruou; Amamentar é uma forma de dar saúde, carinho e proteção ao bebê.


Dra. Elsa Giugliani é Presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), doutora e pós-doutora, com títulos pelo Institute of Child Health da Universidade de Londres (Inglaterra ) e também na The Johns Hopkins University, em Baltimore (EUA). É professora da Graduação e da Pós-Graduação na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Consultora Internacional em Lactação com Certificado do IBCLC (Conselho Internacional de Avaliadores de Consultores em Lactação) – título que, obtido em 1993, foi o primeiro do Brasil. Elsa Giugliani é ainda consultora eventual do Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde, em assuntos relacionados ao aleitamento materno, autora de diversos artigos científicos publicados em revistas nacionais e estrangeiras e de quase 30 capítulos de livro. Tem sido convidada a dar palestras em todo o Brasil e também no exterior.